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Histórias

Celebrar onde mora a arte

Talise Schneider · 08 de julho de 2026

Celebrar onde mora a arte

Para ser bem sincera, quando vi uma máscara de palhaço pela primeira vez, não passou pela minha cabeça que chegaríamos onde estamos hoje. Em 8 de julho de 2008, eu disse "sim" para uma das maiores aventuras que viveria na minha vida.

A arte da palhaçaria chegou de forma inesperada. Tive grandes mestres, que me ensinaram a nobreza dessa arte tão importante para a história da humanidade. Talvez, e só talvez, essa minha admiração pela arte do palhaço não seja suficiente para convencer alguém de que a arte cria gente livre, ou de que foi ela quem me libertou e me fez enxergar o mundo de uma forma diferente. Talvez eu esteja exagerando. Eu sei. Mas nada muda a minha certeza de que, há 18 anos, tenho o privilégio de ver pessoas transformando suas vidas e suas maneiras de olhar o mundo através da arte.

A arte é uma ferramenta de transformação social, de ampliação do olhar e, principalmente, de encontro. Ela permite que seres humanos se humanizem por meio do próprio corpo, de como ele se expressa e da forma como habitam o mundo. Um mundo que, tantas vezes, não é tão gentil com a gente.

Aqui vi pessoas chegarem e permanecerem. Vi outras partirem, voltarem e, ao passarem, deixarem o melhor de si. Nestes anos todos, como artista, ou simplesmente como eu, embora já não consiga separar essas duas coisas, percorri muitos corredores. Vi transformações estruturais no hospital e transformações imateriais na nossa forma de fazer arte. Mas algumas coisas nunca mudaram. E nem consigo descrever todas elas. Há memórias que guardo comigo porque sinto que nem todo mundo entenderia. Posso garantir apenas uma coisa: presenciei a felicidade quase sempre distraída.

Na minha loucura, já que tenho a liberdade de ocupar este espaço com as minhas palavras, carreguei durante muitos anos um sentimento de estrangeirismo, de não pertencimento. Até descobrir que, junto com tantas outras pessoas, criamos um lugar infinito. Um lugar que, muitas vezes, nem é físico. Ele está no abraço, no olhar ou em qualquer canto onde a gente chega vestindo roupas coloridas e carregando algumas piadas no bolso de um jaleco branco cheio de histórias.
Escrevi tudo isso para dizer que sou profundamente grata. Grata a tanta gente.
A tantos "sins". A tantos "vou com você". São pessoas demais para caberem em um único texto. Mas, acima de tudo, sou uma pessoa mais feliz por saber que existe no mundo algo tão bonito, que pertence a quem quiser ser livre. A quem quiser pertencer a algo quase inexplicável. A um grupo que me acolhe diariamente. A uma história construída a tantas mãos ou narizes? Este é apenas um pequeno trecho, quase roubado, de uma história muito maior.

Feliz 18 anos para uma ideia que deu muito certo, porque muitas pessoas acreditaram, e continuam acreditando no afeto.

Feliz 18 anos, Médicos do Humor.

Feliz vida.

Que a gente continue saracoteando por aí! E que nunca nos falte coragem para continuar acreditando que a arte pode, sim, transformar o mundo. Nem que seja um encontro de cada vez.

Boa sorte para gente!

Com carinho,

Talise Schneider - Dra. Nicoleta